Olá!
Me chamo Eduardo, sou médico ortopedista especialista em pé e tornozelo e entusiasta do uso de calçados barefoot há mais de 5 anos. Neste artigo vou te explicar um pouco mais sobre este tema, te trazendo diversas opções do nosso mercado e do estrangeiro para você conhecer mais sobre esse universo!
O termo barefoot significa literalmente “pé descalço”.
Nós usamos este termo para os calçados pois ele descreve melhor os calçados que tem características específicas, que vou citar abaixo, que buscam dar aos pés a resposta sensorial e capacidade biomecânica de estar descalço.
Ou ao menos reduzir a privação sensorial como fazem os calçados comuns. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)

O que um sapato precisa ter para ser barefoot?
Para ser um barefoot “raiz” ele deveria ter todos os componentes abaixo, porém, com o surgimento de novas marcas e avanço nos estudos sobre esses caçados, viu-se que ainda pode ser considerado barefoot se perder alguns desses pontos, desde de mantenha: flexibilidade do solado (ou sem rigidez excessiva), câmara anterior larga e Drop zero.
- grande flexibilidade do solado (se dobra facilmente como na foto abaixo):

- drop zero (sem diferença de altura entre calcanhar e os dedos)

- sola fina que permite sentir as irregularidades do solo

- toe box (câmara anterior) larga, de forma a não comprimir os dedos

- Leveza – para não adicionar trabalho excessivo aos pés devido ao peso extra.
Essas propriedades visam preservar a anatomia natural do pé e permitir que músculos e articulações trabalhem sem interferências do calçado!
Índice deste artigo
- O que um sapato precisa ter para ser barefoot?
- Benefícios do barefoot segundo pesquisas recentes
- Malefícios e riscos do barefoot
- Para quem os sapatos barefoot são indicados?
- Idade faz diferença para começar a usar sapatos barefoot?
- Quero começar a usar sapatos barefoot – posso?
- Dicas de marcas de calçados barefoot no Brasil
- Plana (https://www.planabarefoot.com.br)
- Feet of Tomorrow – FOT (https://feetoftomorrow.com.br)
- Vita Minimalista (https://vitaminimalista.com.br)
- Doctor Shoes (https://www.doctoshoes.com.br)
- Caiques Shoes (https://www.caiques.com.br)
- Junoo (https://junoo.com.br)
- Aldea Barefoot (https://www.aldeabarefoot.com.br)
- Dicas de marcas de calçados barefoot Infantis no Brasil
- Dicas de marcas de calçados barefoot no exterior
- SAGUARO (https://www.saguaro.com)
- VIVO BAREFOOT (https://www.vivobarefoot.com/rw/)
- JOMA barefoot (https://www.joma-sport.com/)
- SHAPEN (https://www.shapenbarefoot.com/)
- XERO SHOES (https://xeroshoes.com)
- GROUNDIES (https://groundies.com)
- Gaucho Ninja (https://gaucho.ninja)
- CODE Footware (https://www.codefootwear.com)
- be lenka (https://www.belenka.shop)
- Earthrunners (https://www.earthrunners.com)
- Conclusão
- Perfis do Instragram para você seguir sobre esse tema!
Uma breve história dos calçados
A relação entre seres humanos e calçados é muito antiga.
Restos de “mocassins” rudimentares feitos de pele de animal sugerem que algumas populações já protegiam os pés há cerca de 40.000 anos.
Esses calçados primitivos provavelmente surgiram para proteger a pele dos pés contra superfícies ásperas, clima frio e pedras. Mais tarde, por volta de 10.000 a 1000 a.C., sandálias confeccionadas com fibras vegetais se tornaram comuns em várias regiões do mundo.
Descobertas em Oregon (EUA) revelaram sandálias de sálvia com padrões de tecelagem duráveis, enquanto achados egípcios mostram que sandálias eram populares no vale do Nilo.
Nas culturas mediterrâneas, muitas pessoas caminhavam descalças ou utilizavam sandálias simples.
O suposto mensageiro que correu de Maratona a Atenas (490 a.C.) provavelmente estava descalço, pois os gregos reservavam calçados para ocasiões formais.
Ao longo dos séculos, as solas passaram de simples tiras de couro para bases de madeira ou couro costurado, e a prática do “pé de lótus” na China (séculos X–XX) revelou como calçados rígidos e deformadores podem comprometer a saúde.
No século XVIII surgiram os saltos altos, inicialmente para manter cavaleiros persas firmes no estribo; mais tarde, a moda transformou o salto em símbolo de status.
Com a Revolução Industrial, as fábricas de calçados padronizaram formas e medidas.
Esse desenvolvimento permitiu produzir sapatos duráveis e confortáveis, mas também contribuiu para restringir a mobilidade natural do pé.
Há indícios arqueológicos de que o uso mais frequente de calçados rígidos no Paleolítico superior reduziu a robustez dos dedos menores; estudos comparativos demonstram que, enquanto humanos do Paleolítico médio quase não usavam sapatos, a partir do período Gravettiano (30 000 anos atrás) o uso tornou-se comum (researchgate.net).
Essas mudanças morfológicas (diminuição da robustez das falanges e alterações nas cabeças dos metatarsos) sugerem que a adoção de calçados teve impacto significativo na forma e na função dos pés ao longo da evolução humana.
Benefícios do barefoot segundo pesquisas recentes
Fortalecimento muscular e desenvolvimento do arco plantar
Uma das vantagens mais citadas do uso de sapatos barefoot é o fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé.
Um estudo clínico que acompanhou adultos ocidentais durante seis meses demonstrou que a prática diária com calçados minimalistas elevou a força do pé (medida pela força de flexão plantar dos dedos) em 57,4 %(p < 0,001). (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Após esse período, os participantes alcançaram níveis de força comparáveis aos de usuários experientes, sugerindo que seis meses de uso regular podem ser suficientes para fortalecer as estruturas do pé e melhorar equilíbrio e marcha. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Outros estudos experimentais e observacionais mostram efeitos semelhantes.
Um ensaio com corredores comparou usuários de calçados tecnologicamente avançados com corredores descalços e observou que aqueles que corriam descalços apresentavam músculos do pé mais espessos e maior amplitude de dorsiflexão do tornozelo; não houve diferença significativa no equilíbrio dinâmico. (pmc.ncbi.nlm.nih.go).
Uma revisão sistemática de 2025 analisou 28 ensaiose concluiu que exercícios do “core” do pé e o uso de calçados minimalistas aumentam significativamente a força dos pés; porém, os efeitos sobre o tamanho dos músculos ainda são inconclusivos. (scienceforsport.com)
A mesma revisão relatou que correr com tênis minimalistas favorece a transição do padrão de contato do calcanhar para contato de antepé, alterando a biomecânica da marcha. (scienceforsport.com)
Em crianças, evidências apontam que o hábito de andar descalço ou utilizar sapatos minimalistas promove o desenvolvimento saudável do arco plantar.
Um estudo transversal com 810 crianças e adolescentes mostrou que indivíduos habitualmente descalços tinham pés mais largos, arcos mais altos e menor incidência de deformidades, como hálux valgo, em comparação com aqueles que usavam sapatos rígidos (nature.comnature.com).
Outra pesquisa com crianças pequenas observou que meninos e meninas que utilizavam sapatos barefoot apresentavam arco plantar mais elevado e menor ângulo de progressão do pé em relação aos que calçavam sapatos convencionais (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Melhora da propriocepção, equilíbrio e estabilidade

Calçados barefoot permitem maior percepção tátil das superfícies.
Estudos com populações de risco (idosos propensos a quedas ou pacientes com osteoartrite) relataram melhora da estabilidade e do equilíbrio ao caminhar com calçados minimalistas.
A revisão escopo de 2025 identificou estudos em que o uso de sapatos minimalistas melhorou a estabilidade em pessoas com histórico de quedas e aumentou o equilíbrio de crianças. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Isso se deve à maior ativação dos músculos intrínsecos do pé e à redução da rigidez da sola, permitindo que os proprioceptores do pé respondam melhor às irregularidades do solo.
Redução da carga no joelho e no quadril durante a corrida e a marcha
Há evidências de que os sapatos barefoot modificam o padrão de pisada.
O contato com o antepé reduz o pico de força vertical e o tempo de impacto, diminuindo a carga nos joelhos.
Um artigo de opinião clínica relata que calçados minimalistas favorecem a aterrissagem no antepé, reduzindo a carga vertical máxima e a sobrecarga no joelho, além de fortalecer músculos intrínsecos e o tendão de Aquiles. (dc-injuryclinic.co.uk)
Estudos biomecânicos mostram que o momento de adução do joelho durante a marcha é mais baixo quando se caminha descalço ou com sapatos flexíveis, em comparação com sapatos de salto alto ou “clogs”, que aumentam esse momento em cerca de 15 %. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Em indivíduos com osteoartrite de joelho, alguns estudos indicaram que calçados flexíveis podem reduzir o contato tibiofemoral medial.
Um ensaio clínico randomizado de 2015 (Trombini‑Souza et al.) mostrou que sapatos minimalistas diminuíram a dor e melhoraram a função em mulheres com osteoartrite de joelho. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
No entanto, uma pesquisa mais recente de 2024 comparando sapatos flexíveis com sapatos estáveis em um programa de exercícios concluiu que não houve diferenças significativas na redução da dor ou na melhora de função entre os grupos; ambos apresentaram melhoria semelhante. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Isso indica que calçados minimalistas podem ser uma opção, mas não necessariamente superior à de sapatos estáveis quando combinados com fisioterapia para osteoartrite.
Influência cultural e postura natural
Populações que utilizam pouco calçado apresentam pés mais largos e com menor incidência de deformidades.
Estudos antropológicos e epidemiológicos identificaram que grupos habituados a andar descalços, como alguns povos africanos e indígenas, raramente apresentam pés planos ou joanetes. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Além disso, o início tardio do uso de calçados está associado a menor prevalência de pé plano: crianças que começam a usar sapatos mais tarde apresentam arcos plantares mais desenvolvidos. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Esses achados inspiram o design de sapatos barefoot, que buscam reproduzir as condições ancestrais de caminhada.
Malefícios e riscos do barefoot
Sobrecarga nos ossos e tendões
Embora sapatos barefoot ofereçam benefícios, sua utilização inadequada pode causar lesões.
Calçados minimalistas exigem maior ativação dos músculos do tornozelo e da panturrilha, e a ausência de amortecimento aumenta a carga sobre o antepé e os metatarsos.
Um artigo de 2022 da Cleveland Clinic observa que os “sapatos de dedo” (como o da foto acima) podem elevar o risco de fraturas por estresse; em um estudo, mais da metade dos corredores que usaram toe shoes por dez semanas apresentaram aumento de edema na medula óssea dos pés, sinal de sobrecarga óssea. (health.clevelandclinic.org)
O mesmo texto alerta para a possibilidade de tendinite do tendão de Aquiles, já que a sola plana coloca maior tensão no tendão. (health.clevelandclinic.org)
Um estudo de biomecânica da Oregon State University (2024) com adolescentes mostrou que correr descalço ou com calçados minimalistas dobrou a “taxa de carregamento” (loading rate – medida utilizada no estudo para averiguar o “peso” sobre os tecidos), aumentando o risco de lesões como fraturas de estresse e fasciite plantar. (health.oregonstate.edu)
Os autores recomendam que crianças e adolescentes não façam transição abrupta para sapatos minimalistas; um período de adaptação gradual é essencial. (health.oregonstate.edu)
Além disso, uma revisão sistemática sobre fraturas de estresse nos metatarsos identificou que uma transição rápida de sapatos tradicionais para minimalistas está associada ao aumento de fraturas metatarsais. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Este risco também depende de fatores como idade, sexo e tipo de esporte; mulheres e jovens atletas parecem mais suscetíveis a fraturas. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Dor no pé e tornozelo e efeitos em populações específicas
Para indivíduos com osteoartrite de joelho, nem sempre os sapatos minimalistas são vantajosos.
Um ensaio de 2021 relatado pela Harvard Health mostrou que 58 % dos participantes que usaram sapatos de apoio estáveis apresentaram redução na dor em comparação a apenas 40 % no grupo de sapatos flexíveis; além disso, usuários de sapatos flexíveis tiveram o dobro de chances de desenvolver dor no tornozelo ou no pé. (health.harvard.edu)
Esse resultado sugere que, em casos de osteoartrite moderada a severa, calçados com mais suporte podem ser mais confortáveis e reduzir a dor.
A transição para calçados minimalistas exige musculatura preparada.
Pessoas com alterações na anatomia do pé (pé plano severo, hálux valgo), osteoporose, neuropatias ou dor crônica devem ser avaliadas por profissionais antes de adotar um calçado barefoot.
Outros riscos potenciais incluem bolhas, calosidades e dor nas articulações do médio-pé, especialmente durante a fase inicial de adaptação.
Para quem os sapatos barefoot são indicados?
- Indivíduos saudáveis que desejam fortalecer os pés e melhorar a propriocepção. Adultos ativos com musculatura dos pés e tornozelos bem condicionada podem se beneficiar de caminhar ou treinar com sapatos minimalistas, desde que comecem de forma gradual.
- Pessoas interessadas em correr de forma natural. Para corredores experientes, a transição cuidadosa para aterrissagem com antepé pode reduzir o pico de força e melhorar a mecânica da corrida, mas é fundamental respeitar um período de transição de meses.
- Crianças em idade escolar. Evidências apontam que andar descalço ou com calçados minimalistas favorece o desenvolvimento do arco plantar e reduz deformidades (nature.compmc.ncbi.nlm.nih.gov). No entanto, esportes de impacto ou corridas longas exigem cautela e acompanhamento de profissionais, pois o estudo com adolescentes mostrou que a transição abrupta aumenta a carga nos ossos (health.oregonstate.edu).
- Pessoas que buscam equilíbrio e prevenção de quedas. Ensaios com idosos ou pessoas com histórico de quedas sugerem que sapatos minimalistas podem melhorar a estabilidade e o equilíbrio (pmc.ncbi.nlm.nih.gov), mas é recomendável orientação de um fisioterapeuta.
- Usuários veganos ou que buscam produtos sustentáveis.
Quem deve evitar ou ter cautela
- Pessoas com osteoartrite avançada ou dor articular severa, pois estudos mostram que sapatos estáveis podem reduzir melhor a dor. (health.harvard.edu)
- Indivíduos com osteoporose ou fatores de risco para fraturas, pois o impacto direto sem amortecimento pode predispor a lesões.
- Corredores iniciantes e jovens atletas sem experiência com aterrissagem no antepé; a carga elevada pode causar lesões se a transição for rápida. (health.oregonstate.edu)
- Pessoas com deformidades estruturais severas do pé (hálux valgo acentuado, pé cavo rígido) ou neuropatias, que necessitam de suporte específico prescrito por médico ou fisioterapeuta.
Idade faz diferença para começar a usar sapatos barefoot?
A idade influencia tanto a capacidade de adaptação quanto os riscos.
Em crianças pequenas, o uso de sapatos minimalistas ou mesmo andar descalço favorece o desenvolvimento natural do pé e do arco plantar. Estudos com escolares mostraram que pés descalços desenvolvem arcos mais altos e menos deformidades. (nature.compmc.ncbi.nlm.nih.gov)
No entanto, crianças e adolescentes que praticam corrida ou esportes intensos devem fazer transição gradativa; o estudo da Oregon State University alertou que jovens corredores que mudam abruptamente para sapatos minimalistas apresentaram aumento significativo na taxa de carregamento e, consequentemente, maior risco de lesões. (health.oregonstate.edu)
Adultos jovens costumam se adaptar melhor à ausência de amortecimento se já possuírem musculatura do pé e do tornozelo fortalecida.
Para idosos, a escolha deve considerar condições articulares e densidade óssea; alguns estudos sugerem que calçados barefoot podem melhorar o equilíbrio em idosos, mas outros mostram que sapatos estáveis reduzem melhor a dor na osteoartrite. (health.harvard.edu)
Portanto, na terceira idade é recomendável consultar um profissional antes de mudar o tipo de calçado.
Em resumo, quanto mais jovem o indivíduo e quanto mais tempo passar descalço ou usando calçados minimalistas, maior a chance de desenvolver estruturas fortes e adaptadas.
Contudo, idade avançada, doenças crônicas ou sedentarismo prolongado exigem prudência e acompanhamento especializado.
Quero começar a usar sapatos barefoot – posso?
Sim, quanto mais jovem você começar a usar, melhor.
Se for mais velho, tiver condições de saude que afetem o caminhar (como osteoartrite ou problemas de equilíbrio) a transição deve ser lenta e planejada.
Pela minha experiência e conforme os estudos que li, sugiro as seguintes etapas:
- Avaliação inicial: se possível sempre procure um ortopedista ou fisioterapeuta especialista em pé para avaliar a estrutura do seu pé, presença de deformidades, mobilidade do tornozelo e histórico de lesões. Profissionais podem indicar exercícios de fortalecimento antes da troca.
- Fortalecimento prévio: realize exercícios do core do pé (elevação dos dedos, doming, equilíbrio unipodal) e alongamentos de panturrilha. A revisão sistemática de 2025 mostra que exercícios do pé, além do uso de calçados minimalistas, aumentam a força dos pés. (scienceforsport.com)
- Uso gradual: comece usando sapatos barefoot em curtos períodos, como caminhadas leves no final de semana. Vá aumentando a duração e a intensidade aos poucos para permitir que músculos e tendões se adaptem.
- Misture calçados: alternar entre sapatos barefoot e calçados convencionais diminui o risco de sobrecarregar músculos e ossos. O artigo da DC Injury Clinic sugere variar o tipo de calçado e ouvir os sinais do corpo; se houver dor persistente, reduza a exposição. (dc-injuryclinic.co.uk)
- Adapte a corrida: para corredores, pratique exercícios de técnica (ex.: correr descalço em grama macia por alguns minutos) e aumente gradualmente a quilometragem com sapatos minimalistas. Mantenha a atenção na forma – passos mais curtos e aterrissagem suave no antepé. Estudos mostram que a transição lenta ajuda a evitar aumento da taxa de carregamento. (health.oregonstate.edu)
- Superfícies seguras: evite correr ou caminhar com sapatos barefoot em superfícies de concreto irregular nos primeiros meses. Opte por trilhas, grama ou terrenos mais macios, para reduzir o impacto nos ossos e partes moles (ligamentos, cartilagens e tendões).
- Monitoramento: observe sinais de dor no pé, tornozelo, canela ou joelho. Se surgir dor aguda ou persistente, interrompa a atividade e procure avaliação médica. Lembre-se de que fraturas por estresse podem se desenvolver sem sintomas imediatos. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
- Paciência e continuidade: a adaptação completa leva meses. O estudo sobre aumento de força no pé mostrou que seis meses de uso diário foram necessários para alcançar ganhos máximos de força. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Dicas de marcas de calçados barefoot no Brasil
O mercado brasileiro de calçados barefoot está crescendo e já oferece opções fabricadas localmente.
A seguir estão algumas dicas baseadas na minha própria avaliação e recomendação:
Plana (https://www.planabarefoot.com.br)

- Tenho um tenis deles, modelo Rush White Gray, muito confortável. No começo a câmara anterior dele aperta um pouco os dedos de cima pra baixo, de forma que fiquei com dores na unha do dedão nos primeiros usos, mas a medida que se usa isso acaba “relaxando/laceando” e melhorou. Recomendo para uso casual.
- Não há indicação de modelos masculinos e femininos, então acredito que todos os modelos sejam unisex, a depender do estilo de cada um.
Feet of Tomorrow – FOT (https://feetoftomorrow.com.br)

- Tenho um tênis deles, modelo Lito Black Grey, me acostumei super bem desde o início, muito confortável mas a sola é mais fina que do Plana. Usei durante uma viagem para os EUA, caminhando bastante na Disney, recomendo bastante para uso casual.
- Não há indicação expressa de modelos femininos e masculino, apenas sugestões com modelos masculinos e femininos em diferentes anúncios e fotos. Cabe avaliar individualmente conforme o gosto de cada um.
Vita Minimalista (https://vitaminimalista.com.br)

- É a marca que mais gosto, tenho 5 calçados deles (Tatu Canastra, Onça Pintada, Cachorro-do-mato 2.0, João de Barro e Sagui) e minha mulher tem um (Lobo-Guará), muito confortáveis e com diferentes usos.
- Desde um casual a até social, como também para trilhas e caminhadas em terrenos mais acidentados. Possuem uma sola mais espessa e com melhor aderencia ao solo que outras marcas.
- Tem a opção de palmilhas com diferentes espessuras para auxiliar na transição para o barefoot.
- Recomendo para diversos usos.
- Tem modelos com indicação expressa de “feminino” no anúncio e outros sem indicação, podendo ser unissex a depender do gosto de cada um.
Doctor Shoes (https://www.doctoshoes.com.br)

- Não são exatamente uma marca com foco em barefoot propriamente dito, mas tem modelos de sapatos que se adaptam bem para quem quer usar em eventos sociais (casamentos, trabalho formal etc.). Tenho o modelo para Neuroma de Morton (esse), uma bota (essa) e um de esporão do calcâneo (esse), são confortáveis e recomendo para estes usos sociais.
- Tem modelos unissex, masculinos e femininos.
Caiques Shoes (https://www.caiques.com.br)

- Também não se descrevem como barefoot propriamente dito, mas tem câmara anterior mais larga, solado fino e flexível.
- Tem mais modelos voltados para o público feminino, mas em publicações no instagram reforçam que são calçados Unissex.
- Ainda não tive a oportunidade de testar. Mas já tive retornos positivos de pacientes que compraram e gostaram.
Junoo (https://junoo.com.br)

- Ainda não tiver a oportunidade de testar também, mas são bem avaliados no site a aparentam ter todas as características de um barefoot “raiz”.
- Não indicam masculino ou feminino nos seus modelos, mas na descrição individual dizem ser Unissex.
Aldea Barefoot (https://www.aldeabarefoot.com.br)

Outro que ainda não tive a oportunidade de testar. Apresentam apenas um modelo em três cores diferentes. De diferente, assim como a vita minimalista, apresentam diferentes espessuras para auxilio na transição para o barefoot.
Dicas de marcas de calçados barefoot Infantis no Brasil
Tip Toey Joey (https://br.tiptoeyjoey.com)

Marca brasileira focada em sapatos infantis, com classificação por idade (0-1 ano, 1-3 anos e 3-7 anos, não tendo para idades maiores ou numerações maiores que 32).
Opções com diferentes modelos, para diferentes gostos. Achei bem interessante, recomendo bastante. Tem opções com muito espaço para os dedos e infelizmente alguns modelos para idades maiores começam a ter câmaras anteriores um pouco mais estreitas, mas ainda assim, mais largas que o padrão da indústria.
Noeh Biomimetic (https://noeh.com.br)

Marca brasileira, com uma pegada mais científica a respeito dos calçados, com uma tecnologia própria de que estimula os músculos dos pés “como andar em areia fina”. Vale conhecer.
Também é interessante a política que eles tem de doação dos calçados que ficarem pequenos para o seu filho, que eles encaminham para instituições que acolhem crianças que precisam de cuidados especiais, como a APAE.
Não tão legal é que o site somente disponibiliza o contato do WhatsApp e email quando queremos comprar na loja deles.
Então para opinar, no momento, somente através de algumas fotos e vídeos disponibilizados no site, que aparentam ter uma câmara anterior bem anatômica, mas difícil dizer sem mais fotos ou videos.
LUFT Shoes (https://luftshoes.com)

Marca brasileira, faz tenis com cadarço e velcro, aparentemente a mesma sola para todos, que tem uma câmara anterior mais larga que o padrão da indústria, mas ainda assim, arredondada e menos anatômica como a das outras marcas acima.
Ainda assim acho que vale conhecer e ver se as crianças adaptam bem.
Dicas de marcas de calçados barefoot no exterior
Se você vai viajar para o exterior, principalmente Europa, tenho algumas recomendções para você procurar por lá.
SAGUARO (https://www.saguaro.com)

De longe é a melhor marca na minha opnião, tem diversas opções, desde aventura até casuais, cano baixo, cano alto, infantis. Tem até uns no estilos dos Vans e AllStar clássicos. E eles não colocam demais a marca nos calçados, como a vivo.
VIVO BAREFOOT (https://www.vivobarefoot.com/rw/)

Excelente marca, com diversas opções, concorrente muito próxima da Saguaro, só perde pra mim pois coloca a marca deles (essa colmeia) em quase todos os modelos. Mas ganha por ter mais opções de “sneakers”.
JOMA barefoot (https://www.joma-sport.com/)

A JOMA para quem pratica esportes já é conhecida de tempos, ainda mais os jogadores de futsal, society e tênis. Infelizmente lá fora a JOMA tem a linha barefoot dela, com tênis para corrida, pra prática de tênis, chuteiras e até a linha infantil barefoot. Aqui no Brasil não temos nada disso ainda, mas, caso eles queiram, seria uma bela linha pra trazer pra cá!
Tem chuteiras, não tão tecnológicas quanto as da CODE, mas bem interessantes também.
SHAPEN (https://www.shapenbarefoot.com/)

A melhor marca, na minha opinião, de sapatos femininos, as sapatilhas deveriam ser mais copiadas aqui no Brasil. Tem uma opção de bota impermeável também que merece destaque.
XERO SHOES (https://xeroshoes.com)

Gosto bastante dessa marca, tenho um casual deles (esse), que comprei em uma loja especializada em barefoot em Barcelona (barefootyou), mas os melhores são os voltados para pratica esportiva, como para tênis de quadra e pratica de montanhismo, com varias opções interessantes, alem dos disponíveis para corrida também.
GROUNDIES (https://groundies.com)

Marca alemã, tenho um sapato social deles (esse), que comprei também em Barcelona, muito bonito, porém, precisou de diversos usos para ficar confortável, no início era bem duro, principalmente no contraforte.
Gaucho Ninja (https://gaucho.ninja)

Apesar do nome parecer, não é do sul do Brasil, nem mesmo brasileiro. Faz muitos estilos de tênis, botas e sapatos.
CODE Footware (https://www.codefootwear.com)

A CODE até então concorre sozinha no quesito calçados para esportes de campo (como o futebol, rugbi, futebol americano etc.). Camara anterior larga para os dedos e travas posicionadas conforme o movimento natural do pé.
be lenka (https://www.belenka.shop)

Opção nos EUA, com vários tipos de calçados para escolher também.
Earthrunners (https://www.earthrunners.com)

Da California. Pra quem gosta mais de sandálias.
Conclusão
Sapatos barefoot representam uma tentativa de retornar à biomecânica natural da marcha humana.
Evidências científicas mostram benefícios como fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé e da proprioceçpão, com isso tendo uma melhora do equilíbrio e possível redução de cargas no joelho pela melhor acomodação nos pés e redução da transferência aos joelhos e quadril.
Contudo, os riscos existem. Fraturas por estresse, fascite e tendinites irão aparecer se a transição for feita abruptamente ou por pessoas com condições específicas, como artrose avançada e problemas de equilíbrio.
A escolha pelo barefoot deve considerar a idade, histórico de lesões e objetivos individuais, sempre com supervisão profissional, se possível.
Ao usar esses calçados de forma responsável e progressiva, é possível desfrutar da sensação de “pés descalços” e dos ganhos desse uso com segurança e conforto.
Perfis do Instragram para você seguir sobre esse tema!
Infelizmente aqui todos são estrangeiros, então, além de mim (@dreduardoarbildi), sugiro seguir estes abaixo:
anyasreviews – para voce conhecer diferentes opções de barefoot e conhecer um pouco do relato dela sobre a vida após o barefoot.
barefoot_felling – para voce conhecer mais sobre saúde e treinos dos pés e também sobre alguns calçados
barefoot.universe – bom para conhecer sobre diferentes usos e ver alguns relatos de melhoras visuais dos formato dos dedos e do pé como um todo, assim como de sintomas após o uso de barefoot.
myfootfunction – conduziram alguns estudos por conta própria sobre populações descalças e irmãos em que uns usaram calçados e outros não, vale conferir os posts educativos deles.
jesus.serrano.fisio – espanhol que sabe muito da área. Recomendo seguir se você entende espanhol. Direto ele recomenda exercícios e calçados para evitar fascite plantar, joanetes e dedos em garra. Escreveu um livro (A salud a tus pies), que recomendo a todos lerem.
thebarefootshoeguide – autoexplicativo
barefootbreathperformance – para os que se interessam em conhecer a corrida barefoot
thefootcollective – para conhecer mais sobre barefoot
annn_shoes – bom para ver reformas de calçados não-saudáveis que se tornaram saudáveis nas mãos dela.
